CUBA

Fui a Cuba pela primeira vez em 2015. E durante muito tempo não consegui responder objetivamente quando me perguntavam se eu havia gostado.

Era uma mistura de sentimentos: um povo maravilhoso, paisagens naturais lindas, mas muita, muita pobreza. Por vezes sai dos lugares chorando. E não, não é que a pobreza de lá me sensibilize mais do que a brasileira: toda e qualquer pobreza me toca. A grande diferença é que aqui e em outros lugares do mundo as pessoas tem consciência da sua situação. Lá, não. Eu poderia escrever diversas histórias sobre o que presenciei, mas acho que cada um deve buscar suas próprias experiências e conclusões.

O fato é que eu não me perdoava por não ter amado Cuba. Por ter sentido vontade de voltar para casa logo no primeiro dia e em quase todos que se seguiram. Eu não me perdoava por não ter me permitido fotografar. Por me sentir roubando algo daqueles que já tão pouco possuíam.

Eu precisava fazer as pazes com Cuba.

E, por essa razão, eu voltei em 2018. Com um grupo de fotógrafos, mas, no fundo, sozinha.

Sim, fiz as pazes comigo.

Muita coisa mudou nesses três anos: lojas enormes, acesso a produtos, restaurantes melhores, internet... Eles parecem reaprender a viver essa nova vida, com seus smartphones nas praças em busca do wifi, frequentando restaurantes antes ocupados basicamente por turistas ricos, nos mercados comprando produtos que há três anos não faziam sequer ideia de que existiam...

E que assim permaneçam!

Aqui exponho as fotos da reconciliação, por motivos óbvios. Consta apenas uma única imagem da primeira viagem.

Date: 2015; 2018